Frente fria ou fumaça de queimadas? Entenda a segunda-feira (19) escura em São Paulo

em 20/08/2019 - Por Redacao

Por volta das 15h, as luzes das ruas se acenderam e os motoristas ligaram seus faróis. O meteorologista Celso Oliveira explica exatamente o que aconteceu!

“Eis que o dia virou noite em São Paulo nesta segunda-feira (19)”. Parece até frase de filme de terror, mas foi exatamente o que aconteceu!  Por volta das 15h, as luzes das ruas acenderam e os motoristas ligaram seus faróis. Logo, surgiram rumores que a escuridão estava associada com a passagem de uma frente fria e a fumaça das queimadas que tomam conta da Amazônia na América do Sul.

Mas, por que não chegamos às mesmas conclusões no verão?

No verão, em quase todas as tardes, o dia vira noite e desaba uma grande tempestade, e é justamente no verão que as queimadas quase não existem, pois chove de forma intensa sobre a Amazônia.

Entendendo melhor 

Desde a noite do domingo (18), a passagem de uma frente fria mudou o tempo em São Paulo. Por volta das 20h, houve ventania em alguns bairros e a temperatura caiu rapidamente. Mas, diferentemente dos últimos sistemas frontais, a atmosfera estava mais instável, propícia para formação de nuvens carregadas. Tanto que as simulações indicam chance de chuva com trovoadas também para Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e interior de São Paulo. Além disso, no litoral, havia previsão de acumulados acima dos 70mm, indicando um sistema mais organizado.

Apesar de imagens de satélite mostrarem a presença da fumaça sobre o Estado de São Paulo, a fuligem não estava próxima do solo. O vento em superfície, inclusive, soprava na direção contrária há quase 24 horas. A fuligem que aparecia nas imagens estava em um nível mais elevado, variando entre 2 e 5 quilômetros de altitude.

Ou seja … 

O dia virou noite ontem, porque a frente fria encontrou uma atmosfera altamente instável, com facilidade para o ar sair de áreas próximas do solo e ascender alguns quilômetros. Nesta condição, observa-se a formação de uma nuvem de tempestade chamada de Cumulonimbus. Por conta de seu grande crescimento, ela impede a passagem dos raios solares e escure o céu.

Trata-se de algo mais comum no verão, mas pode acontecer também no inverno, desde que a atmosfera esteja altamente instável.

Mas e a fumaça?

Não teve nenhuma relação com a escuridão, mas a questão não se anula e ela pode ter contribuído para a formação das nuvens. Mas ainda assim, somente a partir de dois quilômetros de altitude.

Mais que a escuridão, um efeito prático da elevada poluição que é gerada em São Paulo é a chuva ácida. As primeiras precipitações que acontecem depois de um longo período de tempo seco são mais ácidas que o normal. E o efeito normalmente é visto em monumentos históricos, especialmente de mármore, que são corroídos com o passar do tempo.

 

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