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Qual é a chuva que enche reservatório?

Cidades no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste enfrentam escassez de chuva e problemas hídricos

A irregularidade e até mesmo escassez das chuvas em parte do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste contribuíram para que algumas cidades começassem o ano em meio a uma crise hídrica. A cidade de Brasília passa por rodízio no abastecimento de água desde a segunda-feira (16). O procedimento também foi adotado no último ano em cidades do norte de Minas Gerais e Espírito Santo, enquanto no Nordeste, a seca mais severa dos últimos 100 anos chegou a provocar um colapso no abastecimento de alguns municípios. Com isso, muita gente acompanha a previsão à espera de uma chuva. Mas será que isso resolve?

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Chuva precisa ser constante para recuperar os reservatórios/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia

De acordo com o meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, não basta apenas chover, é necessário uma chuva constante, por várias horas e dias seguidos. “É fundamental que o solo fique encharcado, inclusive no entorno dos mananciais, assim a água excedente poderá escorrer e contribuir com a recuperação do reservatório”. O profissional cita o exemplo de Brasília. “As precipitações tem ocorrido com frequência no Centro-Oeste, inclusive no Distrito Federal, mas em forma de pancadas muito rápidas e isoladas, e isso aliado ao calor, dificulta a recomposição do volume”.

A temperatura do ar também é importante neste processo. Segundo Oliveira, o ideal é que o tempo permaneça mais ameno, pois o calor faz com que a água evapore mais rapidamente e a umidade do solo volta a diminuir. “Além disso, a população tende a consumir mais água nos dias quentes, quando as temperaturas estão mais baixas, a economia tende a ser maior”.

Outro fator importante a ser considerado, é o tamanho do sistema de abastecimento. “Quanto maior for a bacia hidrográfica, mais difícil será a recomposição, pois se a chuva atingir apenas parte do sistema, a água não escorre para a represa principal, assim o abastecimento não consegue ser normalizado”, explica.

O que precisa acontecer:

No penúltimo dia de 2016, o Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da cidade de São Paulo, completou um ano de recuperação do volume morto. O reservatório que passou 594 dias fazendo uso da reserva técnica, ainda passa por um processo de recomposição, e começou o ano de 2017 operando com pouco mais da metade de seu volume original.

O climatologista da Somar, Paulo Etchichury, explica que “novembro de 2015 foi um dos mais chuvosos comparado aos anos anteriores, o que contribuiu para a restauração da condição hídrica do solo e em dezembro do mesmo ano, o avanço de frentes frias trouxe bons volumes de chuva, o que acelerou o processo de recuperação. Já no restante do mês, as chuvas não foram muito fortes, mas aconteceram de forma constante dando uma sustentação continuada no volume do reservatório”.

De acordo com Oliveira, algo parecido precisa acontecer para que a recuperação aconteça tanto em Brasília, quanto no norte do Sudeste e no Nordeste. “No último ano, com a atuação do El Niño, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico e influencia os eventos meteorológicos no país, a chuva ocorreu de forma persistente apenas em alguns pontos. Neste ano, com as condições de um La Niña, a tendência é de que a chuva ocorra de forma mais distribuída, isso não garante a recuperação dos sistemas, mas pode aliviar as cidades que enfrentam essa crise”, finaliza.

 

Veja agora a previsão do tempo na sua cidade.

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