Bandeira vermelha deve vigorar até o final de 2017

Principais geradoras de energia do país começam o período seco com níveis em torno de 40% nos principais reservatórios

O ano de 2017 começou otimista para o segmento de energia no país. A bandeira vigente para o consumo era a verde, mas já no final de fevereiro o setor elétrico precisou passar para a amarela. E em abril veio a bandeira vermelha, que constitui na maior taxa cobrada para a conta de energia do consumidor, e que deve permanecer em vigor até o fim do ano.

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Setor de energia começou abril com bandeira vermelha/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia

Mesmo com as chuvas volumosas do início do ano, os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste que são responsáveis por 70% do abastecimento de energia em todo o país, terminaram o mês de março com 41,47% de seu volume útil, segundo os dados da ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), este é o quinto ano consecutivo que o sistema termina o período úmido em queda.

O Sistema Sul terminou a primeira quinzena de março com 40,47% do volume, enquanto o Nordeste opera com apenas 22,33%. O único sistema que conta com mais da metade do reservatório, é o Norte, que está com 64,78%. Apesar disto, o climatologista Paulo Etchichury, da Somar Meteorologia, explica que este último é o menor fornecedor, por isto não representa um alívio no abastecimento elétrico durante 2017.

De acordo com o profissional, para garantir a bandeira verde, ou pelo menos a amarela durante o ano todo, seria necessário que todos os sistemas iniciassem o período seco, que compreende os meses de março a setembro na maior parte do país, com níveis acima dos 60%.

El Niño x La Niña

Em 2015, a atuação de um dos El Niños mais fortes da história, provocou chuvas abrangentes e volumosas na região Sul durante o período seco. O fenômeno ocasionado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, fez com que o Sistema Sul compensasse o Sudeste que teve seu regime de chuvas diminuído no mesmo período.

Segundo o climatologista, tanto o El Niño, quanto o La Niña, podem auxiliar indiretamente na manutenção dos sistemas de abastecimento de energia, isto porque enquanto o primeiro garante chuvas significativas durante o período seco na região Sul, o segundo, que é o resfriamento das águas do Pacífico, mantém a chuva intensa na região Norte e parte do Nordeste.

O ano de 2017 começou com a transição de um La Niña de fraca intensidade, que levou à redução das chuvas no Sistema Sul, para um período de neutralidade, que representa chuvas irregulares no Centro-Sul. Agora, a previsão da NOAA é de que um El Niño também de fraca intensidade, se estabeleça no último trimestre deste ano.

“Apesar da expectativa do El Niño, os indicativos apontam que o fenômeno vai se formar já no período úmido, isto é, no verão, o que significa que ele segura as chuvas no Uruguai e Argentina, e por isso pode acabar influenciando de forma negativa o regime de chuvas na região Sul durante o período úmido, o que pode acarretar num déficit hídrico ainda maior no próximo período seco”, finaliza Etchchury.

 

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