Quanta chuva é preciso para recuperar um reservatório?

Apesar de a chuva passar por Brasília e pelo Nordeste, regiões continuam com déficit hídrico. Entenda porque isso acontece:

O Dia Mundial da Água foi instituído em 1992 pela ONU (Organização das Nações Unidas), com o objetivo de levar conscientização à população sobre a importância deste recurso natural que, como vêm se confirmando cada vez mais, é limitado.

dia da água

Dia Mundial da Água é celebrado nesta quarta-feira 22)/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia

A chamada crise hídrica tem ganhado destaque desde que o Cantareira, um dos maiores reservatórios do país passou pela situação que atingiu o ápice em 2014, agravada pela escassez das chuvas. O Sistema voltou a se restabelecer no último ano, mas parte do país ainda encara períodos de estiagem prolongados, que deixaram a situação crítica em mananciais como os de Brasília e da região Nordeste que chamaram a atenção no início de 2017.

A Capital Federal segue em rodízio de abastecimento desde 16 de janeiro. A chuva registrada no primeiro mês do ano ficou abaixo da metade da média, enquanto em fevereiro, a cidade recebeu volumes acima do esperado. “Essa irregularidade, não colabora com a recuperação dos mananciais. Os períodos chuvosos se intercalam com tempo firme e temperaturas elevadas o que prejudica o escoamento e armazenamento da chuva nos reservatórios”, explica o meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia.

De acordo com o profissional, para que a situação dos reservatórios se normalizasse, seriam necessários vários dias de chuva constante e volumosa. “A exemplo de Brasília, a capital não recebe acumulados significativos há pelos menos três anos, para começar a se recuperar o solo precisa ficar encharcado, inclusive no entorno dos mananciais. Algo que provavelmente traria transtornos para o centro urbano e agricultura, mas que auxiliaria o escoamento nas represas”, afirma.

No Nordeste do país, a situação é ainda mais complicada. A região enfrenta a pior seca dos últimos 100 anos e algumas áreas estão há pelo menos cinco anos sem registrar chuvas significativas, o que fez com que muitas cidades entrassem em colapso hídrico. Apesar de o mês de fevereiro ter sido de precipitações dentro da média, a chuva apenas aliviou o solo, que passou de um estado de seca extrema, para seca severa no último mês.

Não é só a chuva

Além das precipitações irregulares, outros fatores podem comprometer o abastecimento. Nesta semana, um relatório divulgado pela ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) constatou que a soma da água desperdiçada em áreas com construções irregulares nas 27 capitais do país, seriam suficientes para abastecer quase três milhões de pessoas durante um ano.

Isto não significa que os moradores de comunidades desperdicem os recursos naturais. Mas segundo a organização, a precariedade das ligações irregulares resulta no maior gasto e perda de água. Como prova, a instituição utilizou um mapa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que demonstra a quantidade de água desperdiçada em áreas irregulares em comparação a locais que possuem o saneamento regularizado.

Como cuidar

Durante a crise hídrica de São Paulo, a companhia de saneamento básico da cidade investiu em campanhas de economia de água por parte da população, que acatou ao projeto, o que fez com que a recuperação do reservatório ocorresse de forma mais rápida que o previsto. Além disso, correções na gestão, como a redução na pressão e reparos nas próprias instalações da companhia também foram fundamentais durante este período.

As chuvas contribuíram para a restauração do nível dos mananciais, mas sem a conscientização que se estabeleceu na sociedade e nos gestores, a regeneração do Cantareira não teria sido a mesma, o que reforça a importância das reflexões trazidas no mês da água.

 

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