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Até quando a seca persiste no Nordeste?

Chuvas devem voltar a atingir a região de forma generalizada, mas não garantem a recuperação dos reservatórios

O pior período de seca já registrado no Nordeste completou cinco anos no final de 2016. Com exceção do sul da Bahia, quase 100% da região passa por estiagem grave, severa ou excepcional gerando falta de abastecimento para grande parte da população, principalmente no interior nordestino, além da perda de lavouras e rebanhos.

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Reservatórios do Rio Grande do Norte são impactados pela seca/ Fonte: Fred Carvalho via G1

O Rio Grande do Norte, que decretou situação de emergência no último mês de setembro, está entre os mais afetados pela seca, cerca de 15 cidades estavam sem nenhuma forma regular de abastecimento na época. Hoje, a maior parte do Estado passa por sistema de rodízio com datas pré-agendadas pela Caern (Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte).

De acordo com os dados da Semarh (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos), pelo menos 30 dos 50 principais reservatórios que compõem os sistemas de abastecimento do Estado estão completamente inoperantes ou utilizam volume morto. E as duas maiores bacias, Apódi/Mossoró e Piranhas/Assu, encerraram dezembro com cerca de 13% de sua capacidade total de armazenamento.

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Mapa demonstra o avanço da seca na região Nordeste entre setembro e novembro

Segundo a meteorologista, Olívia Nunes, da Somar Meteorologia, um dos motivos para esta longa estiagem, pode estar relacionado ao período de El Niño, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico e influencia o clima no Brasil. “O Nordeste já vinha passando por um déficit hídrico, e com o advento de um dos El Niños mais fortes da história, o cenário piorou”, comenta.

A profissional explica que durante a atuação do fenômeno, que ocorreu entre o segundo semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2015, correntes de ar mantiveram o tempo sob um padrão mais seco no Nordeste e impediram a passagem da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), responsável pela manutenção das chuvas na região.

Mas apesar de o país ter começado 2017 com a manifestação de um La Niña, o fenômeno atua com fraca intensidade, e a influencia de outros eventos meteorológicos menores também interferem na passagem da ZCIT, que não deve conseguir trazer chuvas regulares para o Nordeste antes da primeira quinzena de fevereiro.

“Apesar disso, a expectativa é de que o La Niña continue a perder força nos próximos meses. A quadra chuvosa, que vai do início de março até junho, deve começar um pouco mais tarde, mas desta vez, o cenário pode ser um pouco mais favorável comparado aos últimos anos”, afirma Olívia. “O que não é sinônimo da recuperação dos reservatórios da região, mas deve pelo menos aliviar a situação hídrica”.

 

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