Safra de grãos começa com clima adverso no Brasil

Confira se as chuvas e temperaturas atrapalharão a safra 2015/2016

A safra de grãos já começou no Brasil há mais de 60 dias e pouco avançou durante este período. As fortes e constantes chuvas no Sul do país, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina impossibilitaram os trabalhos no campo e com isso, o plantio do arroz, milho, soja e feijão seguem atrasados, além da colheita do trigo, que também apresenta perdas significativas em todas as regiões produtoras.

Fonte: Somar Meteorologia

As chuvas são irregulares no Centro-Oeste e Sudeste e, na maioria das vezes, de baixos volumes acumulados que impossibilitam que os produtores consigam semear seus campos com sementes de soja. E o atraso deste ano em todo o Brasil é maior do que foi em 2014, quando foi registrado o grande veranico no mês de outubro. Somente no final deste mês é que as chuvas retornaram em toda a região central e norte do país, possibilitando que muitos arriscassem o plantio.

 

O que causa o excesso de chuvas no Sul?

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Mapa da temperatura das águas mostram as altíssimas temperaturas do Oceano Pacífico nas regiões equatoriais e norte. / Fonte: NOAA

O motivo desse clima maluco, com chuvas em excesso no Sul e seco no restante do Brasil, é o El Niño. As temperaturas muito elevadas na região equatorial do Oceano Pacífico têm transformado o fenômeno em um dos mais fortes da história. Apesar das águas do Pacífico estarem com valores um pouco abaixo dos valores registrado em 1997 – o maior El Niño da história, ainda assim este deverá ser o segundo ou o terceiro maior já registrado desde o início das medições no início do século passado.

Por conta do El Niño extremamente forte, as chuvas estão e devem continuar bem mais intensas no Sul do Brasil e também no sul do continente, e consequentemente, toda a região central (Sudeste e Centro-Oeste) e norte (Nordeste e Norte) terão chuvas irregulares ao longo da safra, mas é claro que haverá períodos mais chuvosos que possibilitarão o plantio e também o desenvolvimento das plantas.

 

Como será novembro?

Após as chuvas regulares e em bons volumes nas últimas semanas de outubro em todo o Brasil, o tempo mais seco e quente da primeira quinzena de novembro já traz novamente preocupações aos produtores da região Sudeste, Centro-Oeste e do MAPITOBA, além do mercado.

Ao que tudo indica a segunda quinzena de novembro e todo o mês de dezembro deverão ser com chuvas mais regulares sobre as regiões central e norte do Brasil, com uma pequena diminuição dos volumes de chuvas no Sul, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

 

Como ficam as temperaturas durante a safra?

O grande destaque dessa safra são as temperaturas. Com valores das temperaturas das águas do Pacífico entre 2ºC e 3,5ºC acima da média, a atmosfera permanecerá bem mais aquecida não apenas nesta primavera, mas também durante boa parte do verão.

Desse modo, não será estranho ouvirmos notícias de que as altíssimas temperaturas do ar estão relacionadas ao aquecimento global, o que será mais uma mentira, pois o fato é que um El Niño de forte intensidade provoca temperaturas muito mais altas em todo o globo, como aconteceu em 1998.

A intercalação de chuvas, às vezes acima ou abaixo da média, associada às altíssimas temperaturas do ar manterão as taxas de evapotranspiração mais altas do que o normal, o que pode comprometer a produtividade da safra de grãos. Desse modo, os produtores terão que adequar suas práticas agrícolas e agronômicas a esse perfil de clima, que ocorrerá durante a safra 2015/2016.

Entretanto, mesmo com todas essas intempéries climáticas, a perspectiva é de que a produção de grãos brasileira deverá registrar novos recordes nessa safra, superando os valores contabilizados na safra 2014/2015, mas não será só a safra de grãos que sofrerá quebras regionalizadas, culturas perenes, como café, cana de açúcar e laranja, assim como pastagem também deverão sofrer com esse clima “maluco”.

 

O que esperar do verão de 2016 se o regime de chuvas se instalar realmente no Brasil central e norte durante a segunda quinzena de novembro?

Mapa de chuvas totais no Brasil para o trimestre novembro/dezembro de 2015 e janeiro de 2016 / Fonte: Somar Meteorologia

Mapa de chuvas totais no Brasil para o trimestre novembro/dezembro de 2015 e janeiro de 2016 / Fonte: Somar Meteorologia

Os modelos de previsão de longo prazo sinalizam que o primeiro semestre de 2016 deverá ser bem parecido com as condições climáticas ocorridas durante o primeiro semestre deste ano. Ou seja, um possível veranico na primeira metade do verão nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e até mesmo nas regiões produtoras do MATOPIBA. Nesse período há possibilidade de que as chuvas fiquem mais concentradas no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Já na segunda metade do verão, as chuvas retornam a todas as regiões produtoras do Brasil, sendo que nesse período podem ocorrer uma diminuição dos volumes de chuvas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

 

Marco Antonio dos Santos

Marco Antonio dos Santos é agrometeorologista, graduado como engenheiro agrônomo pela Faculdade de Agronomia e Zootecnia Manoel Carlos Gonçalves, mestre em agrometeorologia pelo IAC, doutor em agrometeorologia pela ESALQ e consultor no segmento agrometeorológico para as empresas: de insumos, trades e bancos. Desde 2008 é colaborador da Somar Meteorologia.

 

 

 

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