Entenda como as condições do tempo afetam o preço do pão que vai para a sua mesa

Com a alta do dólar e a queda na produção mundial, preço do trigo tem aumento de 30% em 2015

De acordo com dados do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) entre os janeiro e novembro de 2015 houve um aumento de 30% no preço do trigo o que impactou diretamente no preço dos alimentos derivados do ingrediente como massas, biscoitos, bolos e principalmente o pão.

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Alimentos derivados do trigo/ Fonte: Flickr – Henrique Lantin

Arthur Ferreira, diretor da Panificadora Estrela do Butantã na zona oeste de São Paulo, conta que até o início do ano pagava cerca de R$85,00 em 50kg de farinha de trigo, hoje o preço da mesma quantidade está em torno de R$110,00. “Além disso, ainda teve o aumento nos outros ingredientes, na água, e o preço da energia praticamente dobrou”, explica.

Com isso, o preço do pãozinho que até o final do ano passado era de R$11,90/kg, passou para 13,50/kg no início de 2015. Segundo Arthur, “a padaria está tentando manter o preço, mas está muito difícil por causa desses aumentos”.

Entenda

Uma das mais antigas culturas agrícolas da história, o trigo é o segundo alimento mais consumido no mundo. Fonte de diversos nutrientes como proteínas, vitaminas e minerais, seus componentes suprem grande parte das necessidades diárias de consumo de um adulto saudável.

Segundo a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) a cultura do trigo foi inicialmente estabelecida no Sul do país, onde hoje se concentra 90% da produção do Brasil.

Trigo 2

Plantações de trigo foram afetadas no mundo todo/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia

As sementes costumam ser cultivadas no inverno porque precisam de uma determinada quantidade de horas de frio para terem um bom desenvolvimento e gerarem grãos de qualidade, ainda assim as geadas são prejudiciais. O plantio ocorre entre os meses de abril e junho e o cereal demora de 140 a 160 dias para completar o ciclo e ser colhido.

No Sul, o grão é cultivado nos três Estados, mas 50% do cultivo é feito no Rio Grande do Sul, a região, porém, teve pelo menos a metade de sua última safra prejudicada por causa dos intensos temporais nos últimos meses. Santa Catarina também perdeu a metade do cultivo nesse período. Somente o Paraná conseguiu manter um nível bom de colheita.

De acordo com Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Somar Meteorologia, outro fator que prejudica a qualidade do trigo, é o período de colheita. “Aqui no Brasil, o grão é colhido no inicio da primavera, coincidindo com a época de chuvas, e os grandes volumes podem afetar a qualidade do produto, então mesmo que o desenvolvimento tenha sido bom, perde-se o alimento para consumo humano bem na hora da colheita e ele acaba sendo direcionado apenas para o consumo animal”, explica.

Trigo imigrante

Apesar de produzir cerca de 10 milhões de toneladas de trigo por ano, as plantações brasileiras suprem apenas 60% da demanda, por isso o país precisa importar o que falta, “o fato de que nem todo o trigo produzido possui qualidade para consumo humano, faz com que a quantidade do produto importado seja ainda maior”, explica Santos. A maior parte da importação provém da Argentina, Canadá e EUA.

O agrometeorologista ainda explica, que por conta da interferência do El Niño, fenômeno que aquece as águas do oceano e influencia nas características naturais das estações, a oferta mundial também foi afetada. Dessa forma, a diminuição na produção de uma forma geral, somada ao aumento do dólar, que atingiu recorde histórico em 2015 também pode ter contribuído para o aumento do preço do produto no Brasil.

 

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