Condições do tempo afetam preços nos supermercados

Do prato principal à sobremesa, aumento no preço dos alimentos subiu até 68% em um ano

Por ser passagem obrigatória para muitos brasileiros todos os meses, o mercado varejista é um dos últimos a sentir o impacto durante as crises, já que diferente do entretenimento e vestuário, não pode ser cortado da lista do consumidor quando o bolso aperta. Os preços dos alimentos também estão relacionados à meteorologia, quer saber o porquê?

Fruits and vegetables

Preço de alimentos sobe até 68% em supermercados/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia

Assim como as chuvas no sul influenciam no preço do pão que vai para a sua mesa, todos os outros produtos alimentícios dependem das condições meteorológicas, das frutas ao leite, e até mesmo a carne que consumimos. Os preços que vemos no mercado dependem muito do clima, tudo o que acontece em excesso e fora de época, como chuva e seca, compromete as culturas.

De acordo com pesquisas do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) os alimentos nos supermercados tiveram um aumento de 10% entre outubro de 2014 e 2015, porém alguns produtos derivados do trigo já apresentaram aumento em torno de 30%, e a bata inglesa já está 68% mais cara em algumas regiões.

Segundo o agrometeorologista da Somar Meteorologia, Marco Antonio dos Santos, “as verduras são mais baratas no meio ano, porque normalmente tem mais qualidade no inverno, quando as chuvas ocorrem de forma mais regular e o tempo fica ameno, enquanto no verão a oferta diminui e o preço sobe por causa do excesso de chuva”.

Já com a carne, acontece o contrário, os preços ficam mais altos na metade do ano, “a pastagem fica mais escassa por causa do período seco no inverno, então os animais precisam de uma alimentação complementar, ou seja, aumenta o gasto na produção, consequentemente o preço da carne também sobe”, explica Santos.

Preço do leite sobe por conta da escassez de pasto/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia

Com o frango acontece a mesma coisa, se a safra de milho for ruim, o proprietário precisa importar o produto para alimentar os animais, “então o problema ainda se alia à alta do dólar, a produção encarece ainda mais e tudo isso é refletido no mercado” diz Marco.

A questão da alta do dólar vai muito além da baixa produção no Brasil, segundo matéria divulgada no Globo Rural, pois além da produção agrícola já estar baixa, o fato de o dólar estar alto faz com que os agricultores apostem mais na exportação dos alimentos, o que reduz ainda mais a oferta no Brasil.

Com um dos El Niños mais fortes da história, os últimos 12 meses foram particularmente complicados para toda a produção mundial. No Brasil, o fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico e influencia nas características naturais das estações segurou as chuvas por mais tempo no Sul, alterando principalmente a produção do trigo e do leite, enquanto no Centro-Oeste a plantação da soja se atrasa e é prejudicada por conta do solo seco, assim como a laranja e o café no Sudeste.

 

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