Outono frio e seco prejudica produção de milho safrinha

Confira como o clima influenciará na agricultura na segunda metade da estação

O outono começou no final do mês de março e, desde então, já está bem diferente do que foi observado nos últimos meses de verão. Os bloqueios atmosféricos se formaram sobre a região central do Brasil durante abril e deixaram o tempo seco e com temperaturas bem elevadas em toda a faixa central e norte do Brasil.

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Foto: Banco de Imagem Somar Meteorologia

Tais condições meteorológicas afetaram muito a produção de milho safrinha e de algodão nas principais regiões produtoras do país, como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Já no Paraná e principalmente em Mato Grosso, as chuvas ocorridas no começo e final de abril possibilitaram uma recuperação, mesmo que parcial, das condições das lavouras. Assim, as perdas que são contabilizadas são menores do que nas outras áreas produtoras.

 

Como será a segunda metade do outono?

A tendência é de um regime de chuvas dentro da média, mas com temperaturas bastante baixas. Isso porque as águas do Oceano Pacífico já estão bem mais frias do que no começo do ano. Assim, o El Niño já está indo embora e o Pacífico se prepara para uma La Niña, que deverá se configurar apenas entre o final do ano e início de 2017, mas ainda é muito cedo para determinar a sua intensidade e muito menos sua duração. Porém, é fato que esse outono/inverno será muito diferente dos últimos três anos.

Com um clima mais próximo da neutralidade, as frentes frias deverão oscilar entre o Sul do país e a faixa central, sendo que os maiores volumes tendem a ser observados no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além da faixa leste do Brasil. Já grande parte do Centro-Oeste, interior do Sudeste e MATOPIBA devem ter chuvas muito abaixo da média e até mesmo um longo período sem chuvas.

Além das condições pluviométricas bem diferentes dos últimos anos, as temperaturas também estarão diferentes, pois sem a presença do El Niño, as massas de ar polar conseguirão avançar com maior regularidade e intensidade sobre o país, onde em grande parte do Sudeste e Centro-Oeste terá temperaturas abaixo da média e uma probabilidade maior de ocorrência de geadas, não apenas no Sul.

 

Condições meteorológicas preocupam agricultura

Todas essas condições preocupam muito os setores da agricultura, como o milho safrinha, café, cana-de-açúcar e hortaliças, já que poderão ocorrer perdas setorizadas de produtividade. Com um clima mais seco, somente as atividades de colheita poderão ocorrer sem maiores transtornos, já que o desenvolvimento das plantas estará comprometido. Além disso, há risco para a ocorrência de geadas e desta forma, é certo salientar que o frio deste ano chegará mais cedo e será mais duradouro.

No caso das pastagens, as previsões meteorológicas estão favoráveis para a prática do confinamento, uma vez que com um clima mais seco em toda a região central e norte do Brasil, as pastagens se manterão impróprias ao pastoreio por um período de tempo bem maior, o que beneficiará animais confinados.

Mas, como nem tudo é perfeito, o clima seco levou a quebras na produção de milho, soja e algodão, elevando os preços desses produtos, base para rações animais. Assim, o custo para se confinar um animal será bem maior este ano. 

Já no Sul, a tendência de um clima dentro de sua neutralidade irá favorecer o cultivo das culturas de inverno, como trigo e produção de carne, já que as chuvas regulares e até mesmo acima da média em alguns momentos manterão os solos com bons níveis de umidade.

Sem a presença do El Niño, não são previstos longos períodos de “invernada” que possam prejudicar o desenvolvimento das culturas. Entretanto, o grande empecilho será em relação às temperaturas, já que com o enfraquecimento do fenômeno e o clima entrando em um período de neutralidade, a expectativa é de que as massas de ar polar passem com maior frequência e intensidade sobre o Brasil durante o outono/inverno e desse modo, a probabilidade de ocorrência de geadas será maior, até mesmo as geadas tardias.

Assim, os próximos 120 dias serão de fortes emoções para o mercado e para o produtor rural!

 

Marco Antonio dos Santos é agrometeorologista, graduado como engenheiro agrônomo pela Faculdade de Agronomia e Zootecnia Manoel Carlos Gonçalves, mestre em agrometeorologia pelo IAC, doutor em agrometeorologia pela ESALQ e consultor no segmento agrometeorológico para as empresas: de insumos, trades e bancos. Desde 2008 é colaborador da Somar Meteorologia.

 

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