Oceano Pacífico segue em condição de La Niña

Temperaturas do Pacífico Equatorial devem continuar abaixo da média até o final do verão e possibilidade de configuração do La Niña sobe para 72%

As águas superficiais do Pacífico Equatorial registram temperaturas abaixo da média desde o mês de agosto, e apesar de o La Niña, fenômeno caracterizado pelo resfriamento anormal do oceano Pacífico, ainda não ter sido confirmado, as condições já começam a afetar a atmosfera e a possibilidade de sua configuração até o verão chega a 72% segundo informações da NOAA (Agência Americana de Meteorologia e Oceanografia).

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Mapa mostra águas do oceano Pacífico mais frias que o normal/ Fonte: NOAA

“No Brasil, essa resposta foi caracterizada em outubro por temperaturas abaixo da média na região Sul, que não eram vistas há pelo menos sete anos, além de chuvas irregulares no Sudeste e Centro-Oeste, ocorrências comuns em anos de La Niña”, explica o meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia.

Os modelos de simulação da NOAA apontam condição de resfriamento das águas do Pacífico com temperaturas que vão de 0,5°C a 0,7°C abaixo da média desde o trimestre composto por agosto, setembro e outubro. Para que a configuração de um La Niña seja considerada, é necessário que as temperaturas do Pacífico continuem pelo menos 0,5ºC abaixo da média por três trimestres consecutivos, e a previsão é de que esses valores possam continuar sendo atingidos até o final do verão.

Mas de acordo com Oliveira, a influência do fenômeno na atmosfera pode diminuir nos próximos meses. “Isto porque o resfriamento do oceano deve ocorrer junto a ODP (Oscilação Decadal do Pacífico) negativa”

Segundo o meteorologista, um dos efeitos da combinação dos fenômenos é a formação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul, um sistema que deve trazer chuva forte e persistente entre o Centro-Oeste, Norte e parte do Sudeste, com estiagens pontuais na região Sul e chuva abaixo da média entre os meses de dezembro e janeiro no Estado do Rio de Janeiro, Espírito Santo, leste e norte de Minas Gerais, nordeste de Goiás, sudeste de Tocantins e em grande parte do Nordeste.

Oscilação Decadal do Pacífico

Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) é um fenômeno cíclico que dura em torno de 30 anos.  Isso significa que a cada 30 anos é observado, predominantemente o oceano em fases quentes e em fases frias.

Na fase positiva (quente), as temperaturas são mais elevadas e registra-se uma maior tendência de configuração de El Niño, quando as águas do Oceano Pacífico estão mais quentes que o normal. Já na fase negativa (fria), as temperaturas diminuem e registra-se uma maior tendência em manifestações de La Niña.

 

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