O que esperar do Inverno 2018?

Sem El Niño e sem La Niña, inverno começa na quinta-feira (21) com Pacífico em neutralidade climática. Entenda o que isso quer dizer

O outono foi caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial e consequentemente, o enfraquecimento do La Niña, o que deixou a estação com chuva abaixo do normal em grande parte do Brasil. O inverno começa nesta quinta-feira (21) às 07h07 já com o Oceano Pacífico em condições de neutralidade, quando não há atuação de El Niño ou La Niña, mas ainda assim, com a temperatura das águas acima da média.

Com o Pacífico Neutro, espera-se que a estação seja de períodos úmidos alternados com períodos secos. No fim dos 90 dias de inverno, mesmo sem precipitação persistente, a quantidade de chuva poderá estar mais elevada que o normal entre o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

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Mapa de anomalia de chuva para o inverno de 2018/ Fonte: Somar Meteorologia

No norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo, sul da Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Acre e sudoeste do Amazonas, a chuva será um pouco mais intensa que o normal, com os maiores acumulados principalmente  durante o mês de agosto.

No sul do Rio Grande do Sul e na faixa que vai de Ilhéus-BA ao noroeste do Amazonas passando por toda o leste do Nordeste e norte do Brasil, a chuva será frequente, mas sem intensidade suficiente para alcançar a média histórica.

Por fim, no interior do Nordeste, em Tocantins, norte de Goiás e de Mato Grosso, no sul do Pará e no sudeste do Amazonas, espera-se tempo seco, como é normal para esta época do ano.

Com relação à temperatura, as ondas de frio não devem ser tão frequentes quanto nos últimos anos, embora algumas ainda ocorram de forma bastante intensa principalmente no mês de julho. Somente no Rio Grande do Sul é que as baixas temperaturas devem persistir. Em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, o frio não será suficientemente frequente para alcançar a média histórica.

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Mapa mostra anomalia de temperatura esperada para o inverno de 2018/ Fonte: Somar Meteorologia

Acre e norte do Piauí devem ter calor mais intenso ao longo da estação, enquanto Brasília, norte de Goiás e Minas Gerais, sul do Tocantins, e boa parte da Bahia, terão sensação de tempo mais ameno por conta da combinação das águas do Ocenao Atlântico mais frias e dos fortes ventos conhecidos como alísios.

 

Como foi o outono?

A estação que se despede começou no dia 20 de março e foi caracterizada pelo enfraquecimento do fenômeno La Niña no Oceano Pacífico. Mesmo assim, a atmosfera demorou para responder às alterações oceânicas e por isso, as frentes frias que passaram pelo país no período foram em sua maioria costeiras, algo típico de padrão de La Niña.

Tudo isso acabou deixando o outono com chuva abaixo do normal em grande parte do Brasil. Apenas em alguns pontos litorâneos do Sul e do Sudeste é que a chuva ocorreu com acumulados acima do normal, o que não é sinônimo de extremos, houve até mesmo a formação de tornados no fim da estação no Rio Grande do Sul e outros eventos de tempo severo relacionados a vento intenso entre Sul e Sudeste. Amazonas, Amapá, Tocantins e boa parte do Mato Grosso receberam as chuvas com maior frequência.

As temperaturas mínimas ficaram em sua maioria acima da média para a estação, mesmo com a entrada de uma onda de frio no final de maio e duas em junho. Houve registro de geadas em 10 dias no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, 6 dias no Paraná e 3 dias na Serra da Mantiqueira em São Paulo. A temperatura máxima ficou acima do normal entre Mato Grosso do Sul, leste de Santa Catarina, São Paulo e boa parte do Paraná. Já as tardes ficaram mais frias que o normal no Espírito Santo, Mato Grosso, Pará e parte do Acre e de Rondônia.

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