NOAA mantém El Niño para a primavera brasileira

A agência americana de Meteorologia e Oceanografia mantém El Niño para a primavera brasileira, mas aquecimento será fraco e diferenciado

Em boletim atualizado no dia 12 de julho, a agência americana de Meteorologia e Oceanografia (NOAA), manteve o cenário de atual neutralidade/transição, sem o fenômeno La Niña observado no início do ano. Há tendência de aumento da temperatura até o fim de 2018, com 65% de chance de formação de um El Niño na primavera e de 70% de chance de manutenção do fenômeno durante o verão 2019.

Entretanto, a informação precisa de algumas considerações. O aquecimento superficial acontece pelo afloramento de águas quentes que propagam de oeste para leste pelas profundezas do oceano. Embora atualmente as águas estejam mais quentes que o normal, os desvios registrados nas últimas semanas estão cada vez mais modestos. Em junho, observavam-se desvios entre 4°C e 5°C e, neste mês, eles estão 1°C mais baixos na porção leste. No oeste, algumas áreas registram desvios de apenas 1°C.

Não é a toa que algumas previsões que no ano passado conseguiram identificar de forma mais precoce o falso alerta de El Niño estão postergando o aparecimento do fenômeno em 2018. O CCA/NOAA mostra temperatura superficial suficientemente elevada para El Niño somente a partir do trimestre Fevereiro-Março-Abril de 2019.

Outra simulação que se mostrou diferenciada no ano passado foi a LDEO, da Universidade Americana de Colúmbia. Trata-se de uma previsão com período mais curto que a CCA e com última atualização em junho. Ela, por enquanto, trabalha com a hipótese de neutralidade até trimestre Fevereiro-Março-Abril de 2019.

Embora pareçam diferentes, existe pelo menos uma informação semelhante: nenhuma das duas indica um retrocesso para La Niña como aconteceu no verão passado. Há, por enquanto, apenas uma tendência de postergação do aparecimento do El Niño.

Considerações finais

Por fim, também há uma informação importante com relação ao Pacífico Leste, pouco estudado pelas instituições internacionais, mas com uma significativa correlação com a chuva do centro e sul do Brasil entre o outono e primavera. Enquanto a região central vem esquentando desde o outono, a área leste do Pacífico permaneceu mais fria que o normal mantendo a chuva mais fraca no centro e sul do Brasil nos últimos meses.

Previsões mais recentes da NOAA até indicam um aquecimento temporário neste mês de julho, algo que trará chuva forte à Argentina, Uruguai e sul e oeste do Rio Grande do Sul nas próximas semanas, mas as simulações mostram que o calor não conseguirá se sustentar por muito tempo. Por enquanto, somente a partir de novembro de 2018 é que há previsão de temperaturas persistentemente mais elevadas que o normal.

E este aquecimento diferenciado com o centro mais quente e a área leste mais fria trará uma precipitação diferente do que estamos acostumados com um El Niño clássico.

Semelhanças com o ano de 2014

Por enquanto, a Somar Meteorologia compara o segundo semestre de 2018 com o que aconteceu em igual período de 2014. Naquele ano, a chuva aconteceu de forma mais irregular sobre o país, pois a corrente de jato, ventos fortes que sustentam as frentes frias, ficou mais ao sul, levando chuva forte somente à Argentina, Uruguai e oeste e sul do Rio Grande do Sul.

Nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste e nos Estados do Paraná e de Santa Catarina, a chuva foi irregular, ora ficando mais forte que o normal, ora mais fraca que a média histórica. Por conta da chuva mal distribuída, a primavera 2014 registrou algumas fortes ondas de calor, especialmente em outubro.

 

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