Mesmo com chuva, Nordeste continua em situação de seca

Com açudes completamente vazios, 60% do território nordestino conta com seca extrema ou excepcional

Após o sétimo ano seguido de estiagem em 2017, as chuvas voltaram a atingir o Nordeste de forma mais significativa na segunda quinzena de dezembro e o ano começou com pancadas de chuva principalmente nos municípios nordestinos ao norte da região. Apesar disso, as precipitações irregulares não foram capazes de recuperar os reservatórios e grande parte do território segue em condição seca extrema ou excepcional.

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Reservatórios ficam completamente secos no Nordeste/ Fonte: Banco de imagens da Somar Meteorologia

Segundo dados da ANA (Agência Nacional das Águas), pelo menos 33,6% do Nordeste encontra-se em estado de seca nível quatro, o mais intenso, enquanto 29% está no nível três, que representa situação de seca extrema.

Sem água, os reservatórios estão secando pelos Estados. No início de 2018, a maior barragem do Rio Grande do Norte, a Armando Ribeiro Gonçalves, em Açu, atingiu o volume morto, o que deve afetar mais de 40 municípios que podem ter o abastecimento cortado em fevereiro.

Segundo o Igarn (Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte), as reservas hídricas do Estado terminaram dezembro com o menor nível dos últimos seis anos, na casa dos 11,5%, enquanto no Ceará, o Castanhão, principal responsável pelo abastecimento de Fortaleza, também começou a utilizar a reserva técnica e conta com apenas 2,38% de sua capacidade.

Em Pernambuco, o reservatório de Jucazinho, em Surubim, que deveria abastecer cidades do agreste do Estado, está em colapso há pelo menos um ano e quatro meses. A barragem foi construída a fim de resolver um histórico problema de abastecimento da região, mas isso não aconteceu.

Apenas na Paraíba, é que o problema foi parcialmente resolvido. O açude do Boqueirão contava com o volume morto até julho do ano passado, mas após a inauguração do eixo leste da transposição do rio São Francisco a região voltou a ter o abastecimento normalizado.

Segundo a meteorologista Graziella Gonçalves da Somar Meteorologia, a atuação da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), sistema que migra de forma gradativa para o Hemisfério Sul durante os meses de primavera e verão e impacta no período úmido do Norte e Nordeste, ainda deve garantir precipitações até meados de março na região. “Porém a chuva ainda ocorre de forma irregular e em pontos isolados, o que pode beneficiar a agricultura, mas não recupera os reservatórios”.

 

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