Greve dos caminhoneiros afeta o agronegócio

Falta de diesel e transporte causa perdas ao setor agropecuário e prejudica exportações durante a greve dos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros, que teve início após o aumento no preço do Diesel, chega ao 9º dia nesta terça-feira (29), sem previsão para chegar ao fim. Sem a disponibilidade de transporte escoamento, o setor agropecuário começa a contabilizar prejuízos e perdas.

Reprodução/EPTV Sul de Minas

Reprodução/EPTV Sul de Minas

Cana-de-açúcar, aves e suínos têm maior risco

A primeira vista, o maior impacto é sentido na cana-de-açúcar, cuja colheita está na fase inicial no Centro-Sul. Praticamente a metade do setor está paralisada por conta da falta de Diesel, e o pouco que conseguiu passar pelo processo de moagem, tem dificuldades no escoamento.

Outro setor prejudicado é o de proteína animal. Antes, a comercialização já estava fragilizada por conta da quebra do milho na Argentina em decorrência da seca que assolou as lavouras no início do ano. Agora, além da dificuldade alimentícia, há a perda de animais que morreram em transporte por conta das estradas fechadas.

O escoamento falta também para as mais de 167 plantas de abate e processamento de carnes no país, que estão sem condições de funcionamento. Para a criação dos bovinos, a aproximação de um inverno que é sinônimo de enfraquecimento nas pastagens deve fazer com que os bois mais gordos percam peso, o que deixa o produtor com dificuldades para negociar.

Exportação de supersafra de café pode ser afetada

A colheita do café começa a ser realizada em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Os quatro estados compreendem a maior parte da safra em pleno ano de bienalidade positiva, que pode chegar a um número recorde. A conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima 58,4 milhões de safra em todo o país.

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As primeiras sacas a serem exportadas já são impactadas e a falta de Diesel dificulta no transporte da mão-de-obra e das colheitadeiras. O transporte do grão que também começa a ser prejudicado pode ser ainda mais impactado caso a situação não se normalize em breve.

As plantações de laranja também começam a ser afetadas. Apesar da colheita manual, o transporte da fruta e do suco é altamente prejudicada pela falta do Diesel.

Exportação e negociação da soja são paralisadas

A soja, que já foi colhida em todo o país, é barrada pelos bloqueios nas estradas, que impedem sua chegada aos portos. A cada dia de greve, cerca de 400 mil toneladas deixam de embarcar e o atraso na exportação da oleaginosa pode se transformar em uma disputa de espaço nos estoques com o milho, cuja colheita está paralisada em algumas lavouras.

Enquanto isso, as negociações estão suspensas, com compradores e vendedores aguardando os desdobramentos da greve para retornar ao mercado.

 

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