Bandeira vermelha ainda irá pesar no bolso do consumidor

A falta de chuva em grande parte do Brasil ainda é a principal responsável pelo aumento do preço da energia e a bandeira vermelha patamar 2

Com a entrada do inverno e o início do mês de julho, teve-se também o início do período seco em grande parte do Brasil. O Sudeste e o Centro-Oeste são as principais regiões que já registram quase um mês ou acima de um mês sem chuvas significativas, o que prejudica muito as condições dos reservatórios.

Considerando que os reservatórios de água hoje em dia são utilizados tanto para consumo quanto para produção de energia, podemos concluir que com a falta de chuva muitas pessoas serão prejudicadas de várias formas. Isso inclui, por exemplo: racionamento de água para uso doméstico, industrial, no campo e, principalmente, aumento do preço de energia.

No mês de junho, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) já havia definido a bandeira tarifária de cor vermelha e patamar 2, o que refere-se ao maior peso possível no bolso do consumidor.

Estamos falando do acréscimo de uma taxa de R$5,00 a cada 100kW consumidos! Para termos uma noção do peso dessa mudança no bolso do consumidor, considerando que o consumo médio de uma família com quatro pessoas seja de aproximadamente 540kW/h, no final do mês com a bandeira vermelha e patamar 2, o aumento fica acima de R$50,00 a mais do valor já pago normalmente.

Bandeira tarifaria Arte

Fonte: Somar Meteorologia

Essa elevação do preço da energia ocorre quando as usinas hidrelétricas não estão mais dando conta de abastecer todo o setor elétrico e, com isso, é necessário acionar outros meios de geração de energia, como eólica, térmica e nuclear.

E quando a bandeira vai mudar?

Segundo a Somar Meteorologia, a previsão de chuva para os próximos meses não é favorável a mudança para um cenário melhor. No primeiro semestre do ano, um fenômeno atmosférico conhecido como La Niña e que ocorre devido ao resfriamento das água superficiais no Oceano Pacífico Equatorial, conseguiu influenciar no regime de chuva em quase todo o Brasil.

Entenda como meteorologia influência a geração de energia

Enquanto a região norte recebeu um grande volume de chuva devido a persistência da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), a região Centro-Sul sofreu o efeito contrário. Os meses de maio e junho registraram chuvas abaixo da média climatológica, basicamente devido à ocorrência de bloqueios atmosféricos que inibiram o deslocamento dos sistemas frontais sobre o continente. Com isso, como há um maior número de usinas e reservatórios na região Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, a energia também acabou sofrendo um efeito dominó devido a diminuição do volume de chuva.

A boa notícia é que o La Niña terminou oficialmente em maio e agora estamos em um período neutro. Porém, a mudança na atmosfera é lenta e essa ainda responde aos efeitos do La Niña. Logo, o mês de julho ainda será de chuvas abaixo da média para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país e com o início do período seco também para a região Norte.

A chuva começará a ser mais frequente apenas na região Sul, contudo, ainda não será suficiente para uma melhoria na situação dos reservatórios e uma mudança positiva na bandeira tarifária. Uma previsão mais estendida indica que a chuva volte a ser regular e volumosa a partir de setembro com a entrada da primavera e retorno das condições tropicais para grande parte do país. Somente depois disso é que talvez haja uma melhora no preço de energia.

 

 

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